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Artigo Coriolus Versicolor - O cogumelo que ajuda no combate ao cancro

Artigo Coriolus Versicolor - O cogumelo que ajuda no combate ao cancro

O Yun Zhi ou Coriolus Versicolor é utilizado há milhares de anos no reforço do sistema imunitário pela Medicina Tradicional Chinesa. Este cogumelo, também denominado por Trametes Versicolor, é encontrado normalmente acima dos 3.000 metros um pouco por toda a China. 

 

Para a Medicina Tradicional Chinesa e segundo a tipologia dada aos alimentos este é considerado doce, de natureza fresca e as suas ações terapêuticas são mais marcadas no Baço-Pâncreas, no Pulmão e nos Meridianos do Fígado. Normalmente é utilizado para tonificar a Essência e a Energia Vital, ou seja, utiliza-se em pessoas que, de uma forma simplificada, têm défice de energia. Esta energia ao ser fortalecida acaba também por tonificar a energia de defesa do nosso organismo, a Wei Qi, que se pode comparar ao nosso sistema imunitário.

 

Tendo por base estas qualidades, facilmente podemos perceber a razão pela qual este cogumelo tem sido utilizado ao longo dos tempos em algumas patologias relacionadas com o sistema imunitário tais como a asma, alergias ou infeções respiratórias recorrentes. Ou ainda patologias em que em certas fases é aconselhável reforçar fortemente o sistema imunitário, através da quimioterapia ou radioterapia, já em estados avançados de cancro.

 

O OK da Medicina Convencional

Apesar do Coriolus Versicolor ser utilizado há vários séculos pela Medicina Tradicional Chinesa, só nos últimos anos foi descoberta pela medicina ocidental e pela mão de um português.

Em 2008, médicos da Universidade de Coimbra conduziram um estudo pioneiro onde avaliaram a eficácia do Coriolus Versicolor no tratamento de lesões do colo do útero provocadas pelo Human Papillomavirus ou HPV. Este vírus quando não tratado pode dar origem ao cancro do colo do útero e até aqui as abordagens médicas mais utilizadas passavam pela cirurgia, que implicava a excisão ou ablação das lesões do colo do útero (retirá-las através de métodos cirúrgicos, como o laser, a criocirurgia ou a eletrocirurgia). Existiam no entanto limitações óbvias neste método já que se tratavam as lesões, mas não existia segurança no tratamento da infeção viral, que induz a lesão.

Este estudo foi realizado com um grupo de 43 mulheres com lesões provocadas pelo HPV. Estas foram divididas aleatoriamente em dois grupos. Um dos grupos foi tratado durante um ano com Coriolus Versicolor, enquanto o outro grupo não tomou nada nem realizou qualquer intervenção.

Nas mulheres que efetuaram a terapêutica com Coriolus Versicolor a lesão regrediu ao fim de um ano em 72,5% dos casos contra 47,5% do grupo de controlo (mulheres que não fizeram qualquer terapêutica). Relativamente à evolução da tipificação de HPV+ de alto risco, os investigadores constataram que no grupo que efetuou a terapêutica com Coriolus Versicolor o teste HPV tornou-se negativo em 90% dos casos contra 8,5% do grupo de controlo.

Ficou demonstrado que o Coriolus Versicolor teve grande eficácia, quer na regressão da displasia (lesão de baixo grau, LSIL), quer no desaparecimento do HPV de alto risco.

Este estudo foi posteriormente replicado e aumentado na Bulgária onde ao longo de dois anos, 200 doentes foram submetidos à mesma terapêutica com Coriolus Versicolor. Nesta investigação, realizada durante 6 meses, 95% dos doentes ficaram livres do HPV. Numa tentativa de levar o estudo mais longe, passaram a debruçar-se também sobre os companheiros das mulheres infetadas. Neste caso, nos casos em que ambos os membros do casal tomaram Coriolus, em 90% dos casos ambos os membros eliminaram o vírus. É então através destes estudos que conseguimos chegar à conclusão que o Coriolus consegue estimular o sistema imunitário de tal maneira que leva a que o organismo tenha a capacidade de se libertar da infeção.

 

Coriolus Versicolor em outros tipos de cancro

De todos os tipos de cogumelos submetidos a estudos pela medicina convencional o Coriolus Versicolor foi o que demonstrou resultados mais promissores. O Polissacaropeptídeo (PSP) e o Polissacaropeptídeo Krestin (PSK) são as duas substâncias ativas deste cogumelo responsáveis pelos seus efeitos terapêuticos, existindo cada vez mais estudos que apontam para resultados promissores em cancros de estômago, dos ovários, da mama, do colon, do esófago, nasofaríngeo e do pulmão. De notar também uma melhoria na qualidade de vida dos pacientes que se encontram em fase de tratamento oncológico, já que este cogumelo ajuda a diminuir as dores e combate os sintomas secundários da quimio e radioterapia. Além disto, quando os pacientes tomam Yun Zhi as células dendríticas e os linfócitos T penetram melhor nos tumores, o que torna este cogumelo extremamente seguro e compatível com tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Apesar destes resultados serem extremamente promissores mais estudos necessitam de ser ainda realizados para afirmar com certezas a real eficácia deste cogumelo nas condições enumeradas.

 

Artigo escrito por Clinicas Helder Flor e publicado na Revista Vida e Saúde Natural

 

Bibliografia:

J. Couto, Salgueiro L. Evaluación de un preparado de Coriolus Versicolor en pacientes com lesiones cervicales por papilomavirus. Revista de Fitoterapia 2008; 8(1): 5-10.

Borisov, S. Coriolus versicolor  – Assessment of the Effects on Patients Infected with Low-risk and High-risk HPV Subtypes. 2012 Jan; 3.

Kidd PM. The use of mushroom glucans and proteoglycans in cancer treatment. Alternative Medicine Review. 2000 Feb; 5(1):4-27.

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